Antes do conteúdo, estratégia. | Otimifica INBOUNDPR

Existe um movimento no mundo da tecnologia em que empresas de consultoria estão criando/comprando empresas de publicidade. Consultorias como a Deloitte, Accenture, KPMG e PwC estão criando, comprando agências de publicidade com diversos departamentos: marketing digital, design, web e mobile. Parece insólito, não? Mas não é.

Parando para pensar, isso é muito fácil de entender e até explicar, não nos falta meios de contato, de comunicação com os clientes, mas sim estratégia. Antes do conteúdo, estratégia. Entender o propósito do cliente, compreender como o cliente do cliente se relaciona com o seu mundo e a partir disso, desenvolver uma estratégia que tenha começo, meio e fim é fundamental.
Você pode estar achando que isso é óbvio e é, mas não é feito, é muito comum, mais do que deveria, as coisas começarem pelo call-to-action.

Morin fala da Teoria da Complexidade, onde cada vez mais é mais difícil compreender o mundo em que vivemos e de acharmos soluções simples ou ditas fáceis, mas na verdade, isso não exclui a boa prática: “A Navalha de Occam”, entre duas respostas/soluções/explicações escolha a mais simples, a chance dessa estar certa e muito maior do que sofisticação ou pseudoverdade da outra. A complexidade falada e que eu aceito de Morin é no âmbito de que não temos mais bipolaridade em certos assuntos e meios de vida, por exemplo, homem e mulher, ninguém minimamente alfabetizado vai se alçar a dizer que só existem homens e mulheres no mundo, o assunto tem uma dimensão muito maior e isso é assim, é a pós-modernidade.

Outro teórico que gosto muito e que tem tudo a ver com o nosso assunto é Bauman, com seu mundo líquido, fluído, volátil. As coisas, os sentimentos, os relacionamentos estão cada vez mais voláteis, fluídos, passageiros, mas isso é um fenômeno que vai sofrer uma transformação logo ali na frente, pois não podemos continuar nos relacionando com as pessoas e coisas de forma tão superficial, sem vínculo e sem significado.

Dito isso, citado os dois autores que fundamentam minha visão de mundo moderno/pós-moderno mais o filósofo da idade média que nos entrega uma ferramenta simples para avaliarmos o mundo, voltemos ao ponto da estratégia antes do conteúdo. Para darmos significado aos quereres, à dimensão objetiva das relações, é necessário entender que devemos dar primeiro dimensão ao que realmente tem valor, as pessoas, sentimentos, valores. Entendido isso, precisamos desenvolver estratégia que garanta que o que o propósito do cliente/organização será entregue à sociedade, sem isso, não podemos esperar que qualquer disciplina: publicidade, marketing, RP etc, consiga ter sucesso nos objetivos empresarias, sejam eles comerciais ou operacionais.

As empresas de consultoria estão entendendo que as agências não travam relações baseadas em significado ou relações de longo prazo, mas sim, baseados em relações de compra-venda, líquidas, voláteis, etéreas. Além de consumir, as pessoas querem experiência, quantas vezes não fomos a um determinado restaurante/bar em que a comida ou bebida não tem nada demais, mas a relação com dono, gerente, garçom faz toda a diferença?

A experiência é fundamental para a satisfação total do cliente, ou como diz a escola americana: overall satisfaction.

Existe uma promessa mínima em toda relação, uma parte dela é explícita e outra é implícita. Devemos fazer com que a experiência dela seja única ou pelo menos com significado. As empresas de consultoria estão apostando no relacionamento com o cliente a longo prazo, onde o propósito é fazer parte da solução do cliente, isso tudo, mediado pela tecnologia, como podemos verificar no artigo original, a tecnologia possibilita a ubiquidade, possibilita a criação de várias frentes de contato ou de significação para os públicos e/ou personas que nos interessam como audiência e clientes.

Enfim, o mundo, como já disse, vem se transformando em uma miríade de opções, no entanto, estratégia e conteúdo devem caminhar lado a lado, tem fundamental presença no sucesso da empresa, mas precisamos entender que entregar conteúdo e dar significado às relações empresa-públicos é um caminho longo, cheio de artimanhas, mas com retorno certo e garantido quando bem feito.

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